03 jun 2016

Sistema de ILPF é considerado uma das opções mais sustentáveis da atividade agropecuária

Por SENAR-MS*

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Um dos sistemas integrados que registra maior crescimento e adesão entre os produtores rurais na última década é o ILPF – Integração Lavoura, Pecuária e Floresta. Um levantamento publicado no portal da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária revela que em todo território nacional cerca de dois milhões de hectares já utilizam a técnica e a perspectiva para os próximos 20 anos é de que este número aumente para 20 milhões de hectares.

Os produtores rurais que aderirem ao projeto ABC Cerrado, idealizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Embrapa, Ministério da Agricultura – Mapa e Banco Mundial terão acesso a capacitação deste formato produtivo que foi proposto como uma das tecnologias que contribuem para mitigação da produção de gases de efeito estufa, junto com o Sistema de Plantio Direto, Recuperação de Pastagens Degradadas e Florestas Plantadas.

Sob a responsabilidade do agrônomo e mestre em sistemas de Plantio Direto e ILPF, Ronaldo Trecenti será promovida uma capacitação que contemplará a equipe técnica responsável posteriormente, pelo atendimento de assistência técnica aos participantes do projeto em Mato Grosso do Sul. “Nosso objetivo é esclarecer os participantes que a adoção dessas tecnologias colaboram para a sustentabilidade e competitividade do empreendimento rural, demonstrando também a viabilidade econômica para o produtor”, explica.

Questionado sobre as vantagens de se implantar o sistema agrossilvipastoril, Trecenti detalha: “A diversificação das atividades nas propriedades rurais vão da recuperação de solos degradados, rotação de culturas, bem estar animal até arborização das pastagens. É preciso ficar claro para os produtores que o ILPF é um investimento que requer mais tempo, porém, que resulta na melhoria progressiva da renda, além de contribuir expressivamente com a redução das emissões de gases de efeito estufa”, argumenta.

Investimento garantido – O interessado em implantar uma das tecnologias apresentadas pelo ABC Cerrado precisa se inscrever no projeto e participar de umas das capacitações oferecidas, com 56 horas/aula de duração. A meta do SENAR/MS é prestar assistência técnica para 400 produtores rurais que se dedicam a atividade agropecuária no período de 18 meses.

O especialista revela que o investimento necessário para iniciar o sistema integrado deve variar de acordo com a tecnologia, região, infraestrutura disponível na propriedade, foco produtivo, entre outros fatores. “Estima-se um investimento que varia de R$5 mil a R$ 10 mil reais por hectare, sem considerar a aquisição de animais para terminação ou engorda. No entanto, é possível começar o sistema de Integração Lavoura Pecuária adicionando o componente agrícola na reforma de pastagens com um custo mais baixo e retorno rápido do investimento”, e acrescenta: “No ILPF, normalmente as receitas das lavouras (grãos e silagem) e da pecuária (carne e leite) cobrem os custos de implantação dos sistemas. Dessa forma, a receita com a colheita florestal que começa a partir do 12º ano será a receita líquida”, aponta Trecenti.

Outra consideração importante feita pelo profissional que irá preparar a equipe técnica do SENAR/MS, no atendimento do projeto ABC Cerrado diz respeito ao período da colheita florestal. No caso do plantio com espaçamento menor e com uma população inicial de 400 a 600 árvores, o manejo bem feito possibilita que o primeiro desbaste seja antecipado para o 4º ou 5º ano, nos casos de utilização de madeira para tratamento de estacas e mourões. No segundo momento, a retirada poderá ser realizada no 7º ano para indústria de energia e quando completar o 12º ano, o eucalipto poderá ser encaminhado para serraria. Isso significa mais valor agregado à produção de madeira e consequentemente, incremento na receita líquida da propriedade.

Informações adicionais – Mato Grosso do Sul foi um dos oito Estados brasileiros escolhidos para participar da primeira fase do projeto que tem a finalidade de contribuir com a redução da emissão dos gases de efeito estufa.  No último dia 30 de maio teve início a primeira etapa de capacitação dos produtores rurais que aderiram ao ABC Cerrado, totalizando oito turmas atendidas nos municípios de Campo Grande, Dourados, Inocência, Nioaque e Paranaíba.


16 jul 2015

ILPF já responde por 7% dos recursos destinados a financiamentos do Programa ABC

*Da Embrapa / Texto: Robinson Cipriano

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O Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Florestas aos poucos começa a conquistar espaço representativo no valor total de recursos destinados a financiamento de projetos dentro do Programa ABC (Programa para Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa na Agricultura). Segundo dados apresentados pelo coordenador de Manejo Sustentável dos Sistemas Produtivos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Elvison Nunes Ramos, no ano passado 7% dos recursos destinados foram fruto de projetos para financiamento de implantação do sistema nas propriedades rurais brasileiras. O anúncio foi feito durante a primeira sessão especial do Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que ocorre até o dia 17 de junho em Brasília-DF, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Elvison explicou que o ILPF ainda é considerado pelos produtores como uma das tecnologias mais difíceis para serem adotadas dentro do Plano ABC (Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura). “Do ponto de vista do produtor, ainda é um sistema complexo, que demanda conhecimento mais detalhado de técnicos e agricultores, pois promove uma sinergia entre práticas que normalmente são feitas separadamente, como a agricultura e a pecuária. Não é fácil para um pecuarista tomar a decisão de abrir sua propriedade para produção de grãos, por exemplo. É um risco que poucos assumem correr na hora de buscar um financiamento”.

Ele revela que o Plano ABC ainda está na fase de capacitação de técnicos, projetistas, analistas de projetos e produtores sobre as seis tecnologias que compõem o Plano (plantio direto, recuperação de áreas degradadas, florestas plantadas, fixação biológica de Nitrogênio e tratamento de dejetos de animais, além do ILPF). “Por isso, o índice de 7% pode parecer pequeno à primeira vista, mas seu crescimento, comparado a outros anos, mostra que a adoção começa a ocorrer em larga escala nos principais biomas brasileiros. É um dado positivo, se avaliarmos que é a tecnologia do Plano que mais mitiga CO2”, frisa Elvison. Em 2014 o Ministério registrou, comparado a 2013, um aumento de 22% do total de projetos de ILPF aprovados no programa de financiamento.

Segundo dados da Embrapa, já existem 3 milhões de hectares com o sistema ILPF implantado no país. As duas regiões que mais têm demandados projetos de ILPF para serem financiados são o Centro-Oeste e o Sudeste. Projetos de recuperação de áreas degradadas ainda são maioria no Programa ABC: respondem por 40% do valor total de recursos, seguido do plantio direto (21%) e de florestas plantadas (14,2%).

Esses números mostram que há um desafio gigantesco para os profissionais de transferência de tecnologia e de comunicação, que é o de procurar formas mais simples e inovadoras de explicar melhor sistemas integrados, como o ILPF, para os produtores rurais, como bem lembrou um dos palestrantes do primeiro dia do Congresso, Tom Goddard, pesquisador canadense do Estado de Alberta.

Diferença entre Plano e Programa ABC

O Plano ABC se diferencia do Programa ABC justamente por que este é uma linha de crédito rural ao produtor, ao contrário do primeiro, que é um conjunto de ações a serem realizadas para estimular a adoção das tecnologias de produção sustentáveis para diminuir a emissão de gases de efeito estufa pela agropecuária brasileira. O Plano é uma importante parte do compromisso brasileiro, de reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, assumido voluntariamente em 2009, na 15ª Conferência das Partes (COP15), em Copenhague.

Elvison Ramos ainda anunciou que no primeiro ano de implantação do Programa ABC (referente ao período 2010-2011), o total de recursos foi tímido: R$ 418,3 milhões. Hoje os números fazem a diferença: R$ 2,7 bilhões foram destinados para 2013-2014, totalizando nos quatro anos R$ 7,5 bilhões. Os dados do Banco do Brasil, anunciados em primeira mão no Congresso pelo gerente executivo da Diretoria de Agronegócios do Banco do Brasil, Álvaro Rojo Santamaria, são mais animadores: até março de 2015 esse total já chegou a R$ 8,6 bilhões. “De cada dez reais financiados pelo Governo Brasileiro aos agricultores, nove são financiados pelo Banco do Brasil”, garantiu, destacando o papel do banco dentro do Programa ABC.

O coordenador de Manejo Sustentável dos Sistemas Produtivos do Mapa ainda divulgou que 33,9 mil contratos de financiamento já foram assinados desde o começo do Programa, dos quais 6,8 mil somente em 2015.


09 jul 2015

Embrapa apresenta importância da luz para produzir carne e leite

*Da Embrapa

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A Embrapa Pecuária Sudeste leva à 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) o sistema de rastreabilidade e identificação animal (Tag Ativo) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). A SBPC, que tem como tema “Luz, Ciência e Ação”, ocorre de 12 a 18 de julho na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Na produção de carne e leite, a luz é essencial. O crescimento e desenvolvimento das pastagens, principal alimento do rebanho bovino brasileiro, dependem da incidência luminosa. A radiação solar também tem relação direta com o bem-estar animal. Durante o evento, os visitantes poderão ver em maquete a influência da luz em um sistema de ILPF – Integração Lavoura, Pecuária e Floresta.

A diminuição da incidência de luminosidade afeta o crescimento dessas plantas. O que pode ocasionar menor produtividade na pecuária, refletindo na diminuição da oferta ou no aumento do preço de alimentos, como carne e leite.

“Na região tropical a incidência luminosa é alta, portanto, o potencial da produção vegetal é elevado para a maioria das plantas cultivadas. Sistemas de produção agropecuários que favorecem a produtividade vegetal são responsáveis pela sustentabilidade da produção de alimentos, fibras e energia nos países com vocação rural, como o Brasil”, explica o pesquisador da Embrapa, Luiz Adriano Cordeiro.

O sistema de integração lavoura-pecuária-floresta contribui para bem-estar animal propiciado pelas árvores em integração com pastagens. “Sistemas de ILPF possuem um microclima melhor, pois as árvores geram sombra que pode diminuir a radiação solar direta que atinge os animais em até 30%, a depender da espécie florestal”, enfatiza Cordeiro.

Para não prejudicar o desenvolvimento das pastagens por falta de luz, a integração deve seguir alguns princípios, como o plantio das linhas de árvores em nível e, quando possível, em alinhamento leste-oeste e utilização de espaçamentos entrelinhas de árvores suficientes para que não ocorra sombreamento excessivo. Esses conceitos poderão ser vistos na maquete exposta no evento.

Rastreabilidade animal
Outra tecnologia que será apresentada na SBPC é o Tag Ativo, para identificação e monitoramento do trânsito de animais. O equipamento foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com a empresa AnimallTag.

O brinco eletrônico é fixado na orelha do bezerro assim que ele nasce. Um sinal de radiofrequência ativa o equipamento, que transmite o número do animal para um leitor portátil com memória para armazenar informações.

O funcionamento vai além da porteira. Durante o transporte dos animais, o Tag Ativo permite que o fiscal conheça todos os dados do transporte, como quantidade de animais, identificação de cada um, peso, idade, origem, destino, hora e data de embarque, além de informações do veículo. Visitantes do estande da Embrapa poderão simular o uso do brinco, utilizando um chapéu com o equipamento e ter seus dados lidos pelo leitor portátil.

É um sistema de baixo custo, que automatiza o processo de fiscalização nos postos de controles da sanidade animal, mesmo em regiões afastadas, sem infraestrutura. A tecnologia substitui os documentos em papel exigidos no transporte de gado, como atestados de vacina.
A Embrapa apresenta as tecnologias na ExpoT&C, feira de Ciência, Tecnologia e Inovação, que funciona a partir de segunda-feira (13), às 12 horas. A visitação ocorre até sábado (18), das 10 às 19 horas.

A programação com as atividades desta edição da SBPC está no endereço eletrônico www.sbpc.ufscar.br e no site da SBPC.


30 jun 2015

Benefícios da integração lavoura-pecuária no Matopiba são discutidos no Maranhão

* Da Embrapa

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“São vários benefícios. Principalmente agregação de valor. A empresa que implanta sistemas integrados consegue manter altas produtividades, tanto da cultura de grãos (como soja, milho e sorgo), como consegue ter um ganho muito bom também na parte de pecuária”, afirma Adelmo Oliveira, gerente-geral da Agropecuária Santa Luzia, que fica em São Raimundo das Mangabeiras-MA e pratica integração lavoura-pecuária (ILP) há 10 anos.

Ele relatou a experiência da fazenda durante evento sobre integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). Foi o primeiro de quatro encontros anuais que Embrapa e parceiros públicos e privados vão promover para transferir tecnologias nessas áreas nos estados que integram o Matopiba (todo o Tocantins e partes do Maranhão, do Piauí e da Bahia).

O proprietário da Agropecuária Santa Luzia é Oswaldo Massao. De acordo com ele, a produtividade, na década de 1990, era em média de 40 a 42 sacas de soja e entre 90 e 100 sacas de milho por hectare. Desde que implantou a integração lavoura-pecuária, há cerca de 10 anos, a fazenda viu as médias aumentaram para cerca de 60 sacas e para quase 160 sacas, respectivamente. Ou seja, houve consideráveis ganhos de produtividade nas duas culturas agrícolas. Referindo-se à experiência em sua propriedade, ele afirma que “esses três itens eu acho o pilar do sucesso: o melhoramento da genética, a plantabilidade (plantadeiras mais modernas) e a palhada de braquiária, que aguenta muito tempo”.

Marcos Teixeira é pesquisador da Embrapa Meio Norte (Teresina-PI) e coordena o projeto de transferência de tecnologia em ILPF no Matopiba. Segundo ele, a região tem tudo para aumentar essa integração: “nós estamos apenas nos primeiros produtores pioneiros. Não temos nenhum dado ainda pra registrar se tem 5% de integração lavoura-pecuária e mais o componente florestal, se são 10% ou se são 20%”, aponta.

O pesquisador diz que os Cerrados existentes nos quatro estados do Matopiba são parecidos em termos de oportunidade para o agronegócio. “Nós estamos querendo continuar esse esforço de integração dos quatro estados, das comitivas dos quatro estados, nos reunindo a cada ano”, explica.

A ideia desses encontros anuais é mostrar propriedades consideradas referências quando o assunto é ILPF em quaisquer de suas variantes: integração lavoura-pecuária; integração lavoura-floresta; integração pecuária-floresta; integração lavoura-pecuária-floresta, que reúne os três componentes.

Um dos participantes do encontro do interior maranhense, ocorrido no último dia 26 de junho, foi Luciano Vilela, pecuarista em Araguatins-TO que vem inserindo o componente agrícola de forma gradativa em sua área. Segundo ele, “com essa nova proposta da agricultura integrada com a pecuária, a gente pensa em não ter aquele pasto mais de muitos anos, com um zelo muito caro pra manter durante 20, 30 anos”. Ou seja, o produtor refere-se a possível diminuição de custos financeiros relacionados à manutenção do capim para o gado, situação permitida com a integração feita com o componente agrícola.

Perguntado se indicaria a outros produtores também adotarem a integração lavoura-pecuária, o gerente da Agropecuária Santa Luzia afirma que sim. “Por mais que cada caso é um caso. Logicamente, a fazenda hoje é um projeto modelo, de sucesso, na região do Matopiba. Mas esses agricultores que estão tendo a oportunidade de visitar e ver essa referência têm a oportunidade de adaptar essa estrutura dentro da propriedade, dentro da microrregião deles”, opina Adelmo.

Projeto em parceria – O projeto de transferência de tecnologia em ILPF no Matopiba faz parte de uma rede nacional que tem o mesmo objetivo e atua em diferentes regiões do país. A rede é formada pela Embrapa, através de diversas Unidades, e Cocamar, Dow, Syngenta, John Deere, Schaeffler e Parker.

Na região do Matopiba, estão envolvidas quatro Unidades da Embrapa: Embrapa Cocais (São Luís-MA); Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO); Embrapa Meio-Norte (Teresina-PI); e Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), que atua também na Bahia.

Propriedades atendidas – A Agropecuária Santa Luzia, de Oswaldo Massao, e a Fazenda Araguaiana, de Luciano Vilela, são duas das propriedades atendidas pela Embrapa. Uma terceira é a de Antônio Costa, produtor rural em Pium-TO que também esteve no encontro de São Raimundo das Mangabeiras-MA.