Uma agropecuária mais sustentável e resiliente

15/12/2016

“Como aconteceu nos últimos anos, o campo foi, mais uma vez, afetado pelo clima, reforçando a necessidade do produtor brasileiro buscar novos conhecimentos para se adaptar às mudanças e seguir produzindo e preservando o meio ambiente. Para auxiliar o produtor, fechamos parcerias, realizamos eventos e desenvolvemos programas e projetos voltados para uma agropecuária mais sustentável e resiliente”, resume o secretário executivo do SENAR, Daniel Carrara.

Em 2016, o SENAR criou dois programas para ajudar o produtor a vencer as intempéries climáticas e continuar produzindo o ano todo: Prevenção e Controle do Fogo na Agricultura e Agricultura Irrigada. O Prevenção e Controle do Fogo na Agricultura surgiu de um acordo de cooperação técnica entre o SENAR e o Ibama e para capacitar produtores e trabalhadores rurais na prevenção e controle do fogo com técnicas específicas. A primeira ação da parceria foi a capacitação de instrutores de nove Administrações Regionais, realizada por técnicos do Prevfogo/Ibama. A partir do treinamento, foram criados dois cursos de Formação Profissional Rural (Prevenção e controle do fogo na agricultura - 40 h e Queima Controlada e Alternativas ao Uso do Fogo – 24h) para serem ofertados pelos estados. O SENAR também disponibiliza via educação a distância o curso Prevenção e Controle de Fogo na Agricultura com 20h, aulas no Canal do Produtor TV e um vídeo didático com técnicas de prevenção e combate.

Capacitação de instrutores para o programa Prevenção e Controle do Fogo na Agricultura.

Já o programa Agricultura Irrigada é voltado à capacitação de produtores na gestão dos sistemas de irrigação. Em parceria com o Instituto de Pesquisa e Inovação na Agricultura Irrigada (Inovagri), incentiva a adoção de tecnologias de irrigação assegurando a produção de alimentos mesmo em regiões com escassez de água. O SENAR dividiu o programa em duas etapas, iniciando com atualização e preparação de instrutores, seguida da capacitação do produtor em gestão de sistemas de irrigação, que terá à disposição três cursos: irrigação localizada (micro aspersão e gotejamento), irrigação por aspersão (convencional, pivô central, canhão) e irrigação por superfície (sulco e tabuleiro).

Instrutores foram capacitados em sistemas de irrigação localizada.

“As atividades começaram com o treinamento de 31 instrutores de 17 estados. Em 2017, os instrutores iniciam a capacitação de produtores e trabalhadores rurais na utilização da irrigação como tecnologia que garanta a segurança alimentar, preservando os recursos naturais e melhorando a produtividade” explica o coordenador do programa de Irrigação, Rafael Nascimento da Costa.

Um Cerrado mais sustentável

Na mesma linha de programas para ajudar o produtor a produzir com sustentabilidade, o SENAR desenvolve o Projeto ABC Cerrado, ofertado em parceria com a Embrapa, Ministério da Agricultura e com recursos do Banco Mundial. A iniciativa está focada na difusão de tecnologias de baixa emissão de carbono em oito estados brasileiros: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Tocantins, Maranhão e Piauí. Além das capacitações em quatro tecnologias (Recuperação de Pastagens Degradadas, Sistema Plantio Direto, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Florestas Plantadas), os produtores  do Maranhão, Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás  passaram a receber Assistência Técnica e Gerencial do SENAR, em 2016. A entidade capacitou 160 Técnicos de Campo na metodologia de ATeG, que já estão atuando em 1.570 propriedades. Mais de mil produtores participaram das capacitações do projeto em 2016 e mais de 1,8 mil estão atualmente sendo capacitados.

Produtores de Minas Gerais recebem capacitação em Recuperação de Pastagens Degradadas.

O produtor que participa do ABC Cerrado tem vários benefícios, tanto ambientais quanto econômicos, como a reestruturação física do solo e aumento no teor de matéria orgânica, diversificação da atividade rural, valorização da terra, aumento da produtividade e, consequentemente, da renda e qualidade de vida. 

“Em 2017, vamos desenvolver a Fase 2 do Projeto ABC Cerrado. Serão mais de 2 mil novas vagas para capacitações profissionais nas tecnologias preconizadas no Projeto e mais 400 vagas para Assistência Técnica e Gerencial, que será oferecida durante 18 meses”, adianta a coordenadora de programas e projetos do SENAR, Janei Cristina Resende.

Primeira parceria SENAR/FAO

Ainda sobre as tecnologias de baixa emissão de carbono, o SENAR firmou a primeira parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas na Amazônia (PRADAM), para disseminar práticas de agricultura de baixo carbono.

“O SENAR é uma referência global, muito mais que uma referência brasileira, pois já transbordou as fronteiras do Brasil. É hoje uma referência de modelo de capacitação, pela qualidade e forma de ensino. Por isso, para nós da FAO, essa parceria é muito importante”, ressaltou o representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic, durante assinatura do acordo.

Presidente da CNA e do Conselho Deliberativo do SENAR, João Martins, e representante da FAO assinam termo de parceria do PRADAM.

No PRADAM, o SENAR capacitou técnicos na metodologia de Assistência Técnica e Gerencial e, com Embrapa e Ministério da Agricultura, realizou seminários sobre Sistema Plantio Direto, Recuperação de Áreas Degradadas e Sistemas Agroflorestais, com destaque para a Integração Lavoura-Pecuária-Florestas (iLPF) nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Maranhão e Rondônia.

ATeG do SENAR e a Resiliência climática 

O SENAR também quer contribuir no fortalecimento das metas estipuladas no Acordo de Paris, primeiro marco do regime internacional do clima aprovado durante a Conferência do Clima (COP-21) por 195 países, em dezembro de 2015. Para isso, realizou este ano o 1º Seminário Internacional Resiliência Climática e Descarbonização da Economia, com a participação de especialistas de diversas áreas.

“Uma das estratégias que apresentamos no seminário para ajudar o produtor na adaptação das propriedades às mudanças climáticas é a assistência técnica. Eu não tenho a menor dúvida de que sem a produção assistida, sem a Assistência Técnica e Gerencial, o produtor terá dificuldade para encarar os desafios climáticos. Temos que juntar pesquisa com implementação tecnológica, o que só se dá através de Assistência Técnica e Gerencial”, afirma Daniel Carrara.

Secretário Executivo do SENAR, Daniel Carrara.

O SENAR vem atendendo o produtor, desde 2013, com um modelo inédito de Assistência Técnica e Gerencial, baseado em transferência de tecnologia e gestão. Atualmente, 23 Administrações Regionais promovem Assistência Técnica e Gerencial em 60 mil propriedades rurais, oferecendo consultoria técnica e gerencial, de forma efetiva e constante. Em 2016, a entidade ampliou a equipe de instrutores de Metodologia de ATeG, composta agora por 11 profissionais e treinou mais de mil Técnicos de Campo e 87 Supervisores de 17 Administrações Regionais.

Ainda na linha da resiliência climática, a ATeG do SENAR está desenvolvendo um projeto específico para ajudar o Brasil a alcançar as metas do Acordo de Paris. É o Resilient Farmer, focado na disseminação de alternativas tecnológicas e ambientais que respeitem as especificidades das propriedades e as características de cada bioma brasileiro. “Com a produção assistida, que envolve orientação técnica continuada e gestão, o produtor poderá fazer as adequações necessárias, recuperar áreas degradadas e, assim, contribuir com a redução das emissões de gases de efeito estufa”, explica o coordenador de ATeG, Matheus Ferreira.

“Com a produção assistida, produtor poderá recuperar as pastagens e reduzir os gases de efeito estufa", acredita Matheus Ferreira, coordenador de ATeG do SENAR.

O SENAR já desenvolve o projeto Rural Sustentável, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), capitaneado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Uma cooperação do Governo do Reino Unido com o Ministério para difundir, em unidades demonstrativas, as tecnologias de baixa emissão de carbono e replicar essa tecnologia em Unidades Multiplicadoras em dois biomas brasileiros - Mata Atlântica e Amazônia, além de garantir a Assistência Técnica e Gerencial.

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