SENAR Minas busca conscientizar profissional

14/05/2014

Em Minas Gerais, um bom operador de máquina agrícola ganha de R$ 2,5 mil a R$ 2,8 mil, segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Minas). O salário médio, que pode variar conforme as horas extras, é maior que o pago na cidade a um operador de máquina na indústria.

Mas, mesmo com uma remuneração aparentemente motivadora - associada a uma melhor qualidade de vida e, em muitos casos, à moradia gratuita e possibilidade de melhoria na formação e ascensão profissional -, a atração e manutenção do trabalhador no campo enfrenta dois grandes problemas. Um deles é o fato de o setor urbano ofertar mais oportunidades. Outro é uma questão que ainda persiste nos dias de hoje: o preconceito.

De acordo com o coordenador de Formação Profissional Rural do Senar Minas, Luiz Ronilson Araújo Paiva, na cidade, ainda tem sido mais fácil conseguir emprego.

"Não digo o emprego de qualidade, mas, em termos de volume de vagas, na cidade há mais oferta". O preconceito, segundo ele, também é uma barreira. "Muita gente associa o trabalho no campo à falta de oportunidades, e isso não é verdade. Muito pelo contrário".

Para tentar reverter esse quadro, Paiva e produtores ouvidos pela reportagem ressaltam que o Senar Minas tem sido um importante parceiro na qualificação de mão de obra no campo. No Estado, a entidade realiza anualmente cerca de 10 mil cursos e forma cerca de 800 mil alunos.

"Além de capacitar o profissional, nós mostramos a ele que pode ser melhor trabalhar no campo, enfatizando, principalmente, a questão da moradia, da qualidade de vida, de ganhar mais que na cidade, de se qualificar no aspecto tecnológico e, em muitos casos, de se manter perto da família".

Nos treinamentos do Senar, Paiva observou que os produtores rurais estão buscando diversos caminhos para lidar com a questão da modernização das máquinas e equipamentos. "Buscam filhos de trabalhadores rurais que ainda não têm experiência e trabalham a formação deles, abrindo leque de oportunidades. Geralmente, os jovens estão mais abertos às novas tecnologias", observa.

Em cenário de médio prazo, o especialista acredita que o setor vai se modernizar e profissionalizar muito mais. "Permanecerá na atividade rural quem estiver disposto a investir em tecnologia e remunerar bem. Já no longo prazo, vejo uma situação reversa, o campo atraindo mais trabalhadores que a cidade por conta dos altos salários. E pessoas morando na cidade, com a oportunidade de boa saúde e educação dos filhos, mas trabalhando no campo", arrisca.

Pleno emprego - Os técnicos agrícolas e demais profissionais das ciências agrárias estão trabalhando no pleno emprego. Antes de terminar os cursos de formação eles já são praticamente "laçados" pelos grandes produtores, segundo o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões. Para ele, uma forma de abrandar esse cenário é a ampliação da oferta de cursos A distância, já desenvolvida pelo Senar.

"Todo grande desenvolvimento esbarra em defasagem de mão de obra em um primeiro momento e isso não foi diferente na agricultura. A demanda é imediata na época em que vivemos por causa, entre outros fatores, das facilidades de acesso às tecnologias", ressalta.

Segundo Simões, as colheitas mecânicas de cana-de-açúcar, de café e em áreas planas e florestal, que utilizam máquinas extremamente complexas, e o uso da nova geração de tratores para grãos, têm demandado profissionais muito bem qualificados. "São equipamentos moderníssimos que apresentam ao produtor demanda imediata de um operador preparado para lidar com eles", relata.

Em um cenário de longo prazo, o presidente da Faemg vê a continuidade de crescimento do setor agrícola, mas muito mais em produtividade do que em área plantada.

"Dessa forma, o uso da tecnologia focado na produtividade e na sustentabilidade será maior, assim como a demanda pelo profissional qualificado. Mas, a longo prazo, acredito que essa questão será menos problemática", avaliou, ressaltando o resultado, no futuro, da criação de cursos e programas governamentais.

Fonte: Diário do Comércio