Fruticultura define profissional que será formado pelo SENAR

23/09/2014
Representantes do SENAR na abertura do encontro. Fotos: Gustavo Fröner Representantes do SENAR na abertura do encontro. Fotos: Gustavo Fröner

Uma das cadeias produtivas mais importantes e complexas da agropecuária brasileira, a fruticultura, precisará de mão de obra qualificada para continuar crescendo e sendo competitiva. Para definir o perfil do profissional que o mercado precisa e que será formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) no Centro de Excelência em Educação Profissional e Assistência Técnica Rural da Fruticultura, representantes de vários segmentos do setor – empresas ligadas ao agronegócio, trabalhadores rurais, produtores rurais, pesquisa, meio acadêmico – estarão reunidos até a próxima quinta-feira (25/9) na sede do Sistema CNA/ SENAR, em Brasília.

O Comitê Técnico Nacional da Fruticultura vai ajudar o SENAR a identificar as competências que os técnicos da área deverão ter para desenvolver atividades no setor. Essas informações servirão de subsídio para estruturar o projeto dos cursos que a entidade vai ofertar no Centro de Excelência em Fruticultura, que será instalado em Juazeiro (BA). A cidade – localizada no semiárido baiano – é uma das maiores produtoras de uva e manga do Brasil, juntamente com a vizinha Petrolina (PE), ambas às margens do Rio São Francisco.

Geraldo Magalhães Machado, superintendente do SENAR-BA

“Todos os segmentos da cadeia são unânimes em afirmar que a grande deficiência é a qualidade da formação. Precisaremos entrar em áreas de vanguarda científica, de tecnologia, para produzir frutas de qualidade e ter capacidade comercial, além de garantir a sustentabilidade para a pujante agricultura brasileira. Precisamos ter a perfeita identificação do perfil profissional que os vários tipos de fruticultura vão precisar”, destaca o superintendente do SENAR-BA, Geraldo Magalhães Machado.

Abertura de consciência

Ivan Pinto da Costa, presidente do Instituto da Fruta

O presidente do Instituto da Fruta, Ivan Pinto da Costa, explica que a cadeia da fruticultura tem um valor agregado diferenciado em relação a qualquer outra atividade do agronegócio, pois além de produção e produtividade, as frutas de mesa envolvem aspectos como sabor e aparência. Como consequência disso, salienta ele, os trabalhadores que atuam nesse setor precisam de conhecimentos e cuidados especiais com os produtos. “Falta profissional qualificado para entender esse diferencial e produzir. Tem que ter gente capacitada para fazer o raleio, para colocar um filtro solar numa manga e ensacar uma goiaba. É uma atividade que envolve aspectos técnicos e artesanais também”, declara.

Costa reforça a importância que o Centro de Excelência terá para a fruticultura, que é o setor que mais emprega pessoas na atividade agrícola – somente nos 120 mil hectares cultivados no Vale do São Francisco existem 240 mil postos de trabalho diretos, o que representa mais do que a soja tem em todo o País. “Pela proposta, o Centro não será engessado. Vai trabalhar a cadeia produtiva como um todo. Mas muito mais do que isso, vai proporcionar uma abertura de consciência. Quando você qualifica alguém, ela passa a ver o processo com outros olhos. Começa a entender toda a cadeia de suprimento (adubação, manejo, gestão) que existe para se chegar naquela fruta que está sendo colhida”, ensina.

Abel Rebouças, professor da UESB

Na opinião do professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Abel Rebouças, a fruticultura brasileira passa por uma transformação profunda, onde a qualificação da mão de obra tem um papel significativo para o sucesso da atividade. Conforme ele, o setor precisa de técnicos capacitados para prestar assistência técnica e de produtores rurais e trabalhadores treinados para o manejo da produção de frutas.

“Hoje esse treinamento acontece de maneira rudimentar, não-eficiente. A criação do Centro de Excelência vem suprir essa necessidade e tornar a atividade mais competitiva no médio e longo prazo”, projeta. Rebouças relembra que o Brasil é o 3º maior produtor de frutas do mundo, mas exporta apenas de 2% a 3% como fruta fresca, sendo grande parte para a Europa. Além de mão de obra qualificada, ele acredita que o País precisa de políticas públicas com foco  incremento da exportação para outros mercados e no aumento do consumo per capita.

José Alves Duarte, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro

Para o representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro, José Alves Duarte, a instalação do Centro de Excelência no município ajudará a combater o êxodo rural dos jovens com a possibilidade de aprendizagem. A formação oferecida também vai contribuir com quem já está ou deseja atuar na fruticultura. Segundo ele, atualmente existem aproximadamente 15 mil pessoas trabalhando na atividade em Juazeiro, mas o número reduziu muito nos últimos anos com a transferência para outros setores, como a construção civil. “Esse tipo de ensino que o SENAR irá proporcionar será uma grande oportunidade para a nossa juventude permanecer na área rural. Outras cadeias, como a ovinocaprinocultura, já estão fazendo isso e obtendo resultados”, relata Duarte.

Centros de Excelência

O SENAR vai implantar 10 Centros de Excelência em Educação Profissional e Assistência Técnica Rural para atender as principais cadeias do agronegócio brasileiro. Serão construídas unidades nacionais voltadas para: Cafeicultura (Minas Gerais); Cana-de-Açúcar e Bovinocultura de Corte (Mato Grosso do Sul); Grãos, Fibras e Oleaginosas (Mato Grosso); Ovinocaprinocultura (Ceará); Fruticultura (Bahia); Palma de Óleo (Pará); Bovinocultura de Leite (Goiás); Gestão e Empreendedorismo (Distrito Federal) e Florestas (Tocantins).

O principal objetivo dos Centros de Excelência é contribuir para a competitividade e o desenvolvimento do setor agropecuário brasileiro através da qualificação profissional de produtores e trabalhadores rurais, da capacitação de técnicos para atuar na assistência técnica rural, da formação de técnicos de nível médio e do incentivo à pesquisa, ao empreendedorismo e inovação. Nestes locais, o SENAR vai oferecer educação formal através de cursos técnicos de nível médio – presencial e a distância –, e de cursos da Rede e-Tec e do Pronatec.

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